Você disse não. Então eu também disse não. Você saiu e
fechou a porta e não viu quando eu comecei a chorar. Chorei uma noite inteira e
um dia todo. Me arrependi, quis voltar atrás. O coração pedindo urgência e a cabeça
paciência. Como sempre em mim, a razão venceu e eu segui, chorando, esperando,
sofrendo, porque não consigo desabar, não consigo descer do salto. Dias depois
me procurou mas também não teve coragem de falar comigo diretamente e eu, com
medo da minha fragilidade, ignorei seu recado e fiquei ali entre a angústia da
distância e a euforia da esperança. Mas o que é que eu podia fazer? Já estava
doendo tanto que eu não suportaria o menor sinal de indiferença, não suportaria
ser rejeitada por você. Deixei o tempo passar entre desespero por sua ausência
e desprezo pela sua atitude, sem entender até agora como eu consigo me
estruturar na razão e que, quando lembro de nós tudo desaba: cai o céu, cai o
teto, cai a lágrima. E você continua passando por mim, lindo e indiferente, tão
alheio à minha dor, tão satisfeito consigo mesmo. E ainda assim, quando você me olha ela está
lá, a marca que eu deixei em você, o pedacinho de mim que ficou e você nunca
vai conseguir arrancar porque eu era o melhor que você podia ter, o pedaço que
te completa, a força que te levaria adiante, o sorriso verdadeiro. Comigo você
nunca precisou de máscaras, você sabe que eu amo o incomum. Você só não sabe
que eu amo você e esse é o seu castigo. Você nunca vai saber o que é essa força
da natureza, nunca vai conhecer o sentimento devastador que é esse amor.
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